Questão Indígena  
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Questão indígena

 

A temática indígena e sua aplicação em sala de aula.

O propósito deste texto é discutir a temática indígena na sala de aula. Acredito que a mesma possa transitar em dois universos: o acadêmico por ser reflexo de meu trabalho como pesquisadora da temática indígena desde 1996 na graduação e posteriormente no mestrado e doutorado e como relato de experiência devido ao trabalho desenvolvido em sala de aula.

Por ser pesquisadora do período colonial a temática indígena e a afro-brasileira sempre fizeram parte do meu universo de trabalho. Com a homologação das leis 10639 e posteriormente a 11645-08 passei ministrar disciplinas específicas com as referidas temáticas. Concentro aqui minhas atenções à questão indígena que é meu principal tema de pesquisa.

A temática indígena sempre é vista na maioria das vezes de uma forma secundária, ou como diz Manuela Carneiro da Cunha, os índios entraram para nossa história "pela porta de serviço".[1]

Outra constatação em relação aos grupos indígenas e a todos os processos a que foram submetidos, colonização, evangelização, escravidão, cujo resultado aponta Marilena Chauí, é fundamentalmente a certeza de que os povos indígenas pertencem ao passado das Américas e ao passado do Brasil, e esse passado, continua a autora, assume três sentidos:

"Passado cronológico: os povos indígenas são resíduo ou remanescente em fase de extinção como outras espécies naturais. Passado Ideológico: os povos indígenas desapareceram ou estão desaparecendo, vencidos pelo progresso da civilização que não puderam acompanhar. Passado simbólico: os povos indígenas são apenas a memória da boa sociedade perdida, da harmonia desfeita entre homem e natureza, anterior à cisão que marca o advento da cultura moderna (isto é, do capitalismo). No presente, os índios seriam apenas uma realidade empírica com a qual é difícil lidar em termos econômicos, políticos e sociais. Donde a idéia de "Reserva Indígena ", espaço onde se conservam espécimes e resíduos"[2] .

Todas essas questões faz com que o trabalho com a questão indígena em sala de aula continue sendo um grande desafio. Dessa forma gostaria de apontar alguns entraves que encontrei em meu trabalho.

Um dos primeiros foi à carga horária insuficiente para trabalhar com a temática. Na medida que o trabalho ia se estruturando comecei a perceber como as imagens e representações criadas no período colonial ainda resistem ao passar dos séculos. Muitas vezes a pergunta de meus alunos em diferentes cursos era:

- Porque eu no mundo atual tenho que estudar índio?!!!.

Não podemos esquecer que prevalece a imagem do índio genérico, associado ao cocar e á pena sendo esta ainda a principal representação que tais populações recebem e que ainda continua sendo disseminada nos diferentes materiais utilizados em sala de aula. Tais materiais também acabam associando tais grupos à questão do exótico pois, apenas as características culturais são levadas em consideração.

Pensar as populações indígenas como sujeitos de sua história ainda é um processo muito recente em nossa historiografia, ou melhor, a temática recebe hoje novas pesquisas, novas formas de interpretação, mas o diálogo entre a academia e os espaços de ensino avançaram muito pouco em nosso contexto.[3]

Ao meu ver, um dos principais pontos a se pensar em nosso espaço educacional é a questão da diversidade, ou melhor, como educar para a diversidade criando novas possibilidades de interpretação de imagens e representações, dando aos nossos alunos condições de pensar criticamente nos mecanismos de construção da tais imagens. Assim, pensar o outro em nosso contexto ainda é um grande desafio ainda mais quando esse "reconhecimento" pode trazer à cena outras discussões como por exemplo, o direito à terra.

Somado a todas essas questões é mais que urgente em nossa historiografia resgatar a ação de tais grupos como sujeitos de sua própria história, rompendo com o pessimismo e com as formulações históricas, por exemplo, a ideia de vítimas, que resiste ao passar dos séculos. Assim, um debate mais eficaz em relação à temática indígena pode ser um dos primeiros passos para se repensar um problema tão intenso em nossa sociedade que é o preconceito.

 

Autora: Rosimeire de Oliveira Souza

 

_______________________________________________________________________________________________________________ [1] CUNHA, Manuela Carneiro da, org, História dos Índios no Brasil, São Paulo, Companhia das Letras, 1992.

[2] CHAUÍ, Marilena de Souza, In: Os índios no Brasil, São Paulo, Global Editora, 2005.

[3] Um pouco contraditória a questão, não podemos desconsiderar trabalhos e pesquisas que vem sendo desenvolvidas nas diferentes instituições de ensino, citamos aqui trabalhos como os desenvolvidos por John Monteiro, Manuela Carneiro da Cunha, Fernando Torres Londoño entre outros. Mesmo assim no meu entender tais pesquisas são poucos relacionados nos materiais didáticos que falam sobre a temática. 

 

 
 
   
 
Questão Indígena

 

O meu guri como proposto é um espaço para discutirmos a educação, a escola, a juventude, ou seja, um espaço de discussão e reflexão onde possamos nos expressar, e acima de tudo um espaço de questionamento e de luta por uma educação de qualidade. A minha proposta como participante da equipe do guri é prestar a atenção à temática indígena enfatizando não só a sala de aula mas outros processos que acompanham as sociedades indígenas em seu cotidiano. Dessa forma aos poucos pretendemos ir criando um espaço no qual poderemos repensar questões como a diversidade, direitos indígenas, a questão fundiária, saúde e educação entre outras problemáticas que envolvem tal seguimento populacional. Bem como contribuir com professores disponibilizando materiais, sites, etc.. que possam auxiliá-los na sala de aula. Assim segue a baixo uma lista de sites que disponibilizam informações que podem ser utilizadas em sala de aula.

CIMI- Conselho Indigenista Missionário.

 

Jornal Porantim: há mais de 30 anos bradando por justiça e paz para os Povos Indígenas

 

Na língua do povo Sateré-Mawé (AM), Porantim significa arma, remo e memória. Baseado nestes significados nasceu o jornal Porantim, um instrumento de comunicação que, há mais de 30 anos, se faz presente nas lutas pela garantia dos direitos dos povos indígenas. Inicialmente era um boletim mimeografado, destinado ao intercâmbio de informações entre os missionários que atuavam nas comunidades indígenas. Em seu segundo editorial anunciava-se como um "jornal que quer ser porta-voz dos anseios e das esperanças dos índios desta Amazônia e das bases missionárias que atuam junto a eles". Começou a ser impresso em junho de 1979, em Manaus, pelo Regional Cimi Norte I e, em 1982 o Secretariado Nacional do Cimi, com sede em Brasília, assumiu a sua edição e publicação. ( FONTE: SITE www.cimi.org.br)

GEPI- Núcleo de Estudos e Pesquisas Indigenistas:

www.djweb.com.br/historia

Museu do Índio-

www.museudoindio.org.br

CPI-SP- Comissão Pró-indio de São Paulo

www.cpisp.org.br

COIAB- Coordenação das organizações Indígenas da Amazônia Brasileira

www.coiab.com.br

NEPPI- Núcleo de Estudos e Pesquisas das populações indígenas UCDB – MS

www.neppi.org

ISA- INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL

www.socioambiental.org

www.aldeiaguaranisapukai.org.br

http://www.tvintertribal.com.br/
Rosa Maaciel